Kurt Feldman

Compositor, produtor, bateristas, vocalista, e multi-instrumentista.
Este é Kurt Feldman, membro das bandas Depreciations Guild, The Pains of Being Pure at Heart (TPOBPAH), e Ice Choir. Fortes nomes do cenário nu gaze. Guardadas as devidas proporções, Kurt Feldman pode ser comparado com Jonny Greenwood devido ao multi-instrumentismo e por ser um músico dotado de muita teoria e “antenado” em novas tendências musicais.

Formada em 2005, a banda Depreciation Guild foi a primeira banda de Kurt, onde era (pois acabou em 2011) compositor, guitarrista, programador de efeitos, e vocalista. Da mesma banda fazia patê Cristoph Hochheim que a partir de 2006 iria junto com Kurt para o TPOBPAH. Este como guitarrista de tour, e Feldman como compositor e baterista.
O principal destaque do som da Depreciation Guild é o 8bit (aka chiptune). Trata-se do uso de sons de eletrônicos, em sua maioria vídeo-games de 8bits – daí o nome –como NES e o Game Boy.
O primeiro EP da Depreciation Guild, o Nautilus, foi lançado por uma gravadora especializada em artistas chiptune, a 8bitpeoples.

Visto como uma das principais bandas de nu gaze, o The Pains of Being Pure at Heart conta com Kurt na bateria desde o início. Que auxiliou na criação da identidade musical da banda com influências da Depreciation Guild (com exceção do uso de chiptune).
Com primeiro lançamento com EP homônimo à banda em 2007 (e que ficou entre os TOP 10 da Billboard no ano de lançamento), o TPOBPAH apresenta desde então um som que une shoegaze com twee e representa uma das bandas de mais importância no cenário nu gaze.
Seu último álbum é o Belong, lançado em 2011 e que recebeu ótimas críticas. Inclusive uma resenha daqui do Indie Shoe que pode ser lida aqui

Ainda em estúdio, o novo projeto de Feldman é o Ice Choir, onde assume os vocais, programações, guitarras e sintetizadores.
Pelo single Two Rings, que conta apenas com duas faixas, já é possível saber que aí vem mais uma banda de qualidade. Um misto de shoegaze com eletropop.
A previsão é de lançamento de EP ou LP para 2012.
Vamos aguardar ansiosos. Pois já é provado que pode se esperar coisa boa de onde há Kurt Feldman.
Falando sobre: Shoegaze

Tendo como berço o Reino Unido do meio para o fim dos anos 80, o shoegaze se originou de variações e derivações que surgiram com o pós-punk e o pós-gótico, que determinava o declínio dos dois estilos tão fortes no fim de 70 e começo dos anos 80 no mundo.
Com as letras introspectivas e presenças de palco totalmente tímidas por parte das bandas, os críticos da época deram o nome de shoegaze (aka shoegazing) para bandas do estilo pelo fato da timidez de onde os músicos olhavam para baixo, para seus sapatos. Uma outra explicação para olharem para baixo é pelo ligar e desligar dos pedais de efeitos, muito utilizados nesse estilo.
O shoegaze é um estilo de contraste, pois mistura a agressividade das distorções das guitarras com um melancólico e melódico vocal. Muitas bandas contavam/contam com vocais femininos, sejam de apoio ou principal, sendo esse mais uma característica do shoegaze.
Outro aspecto é a não utilização da bateria eletrônica, muito utilizada na época por muitas bandas, devido ao grande movimento do eletro pop (com bandas como New Order, Eurythmics, Pet Shop Boys, entre outras), e sim da bateria acústica, voltando então ao tradicional do rock.
Um elemento de grande importância para o surgimento do estilo foi a C86 (já comentada por aqui), que trouxe a sonoridade que ainda estava sendo construída – com base num certo revival do jangle pop, caracterizado pelas guitarras mais harmoniosas e “soft”, somado a elementos do pós-punk- que se pegaria de referência e influência para bandas que se tornariam principais referências do estilo shoegaze, como, Ride, Slowdive, Lush(que mais pra frente acabou indo para o estilo britpop), Jesus & Mary Chain ,My Bloody Valentine, e The Pastels,. Sendo estas três últimas as de maior influência para as demais citadas, principalmente com o álbum Psychocandy de 1985, e Isn’t Anything de 1988– álbuns de estréia do My Bloody Valentine e Jesus & Mary Chain, respectivamente.
Atualmente, o shoegaze vem tomando força com um revival. Algumas bandas ainda mantém a sonoridade mais fiel ao shoegaze das principais referências, como é o caso do Black Rebel Motorcycle Club, The Faunts, e o The Black Ryder. Outras vêm adicionando algumas mudanças, muitas originadas a partir do shoegaze – como o dream pop, chillwave, noise pop e noise rock, e o indietronic –.É dado a essas bandas, o estilod e nome nu gaze (aka new gaze). É o caso de bandas como Ringo Deathstarr (Shoegaze + Noise Pop), M83 (Shoegze+ Chillwave), The Pains of Being Pure at Heart (Shoegaze + Indie Pop/Twee), e Craft Spells (Shoegaze + Dream Pop)
Curtiu o estilo? Bom ,para ter certeza só ouvindo. Abaixo uma lista de downloads de álbuns para curtir o shoegaze e o nu gaze:
PS: álbuns com “*” tem todos os créditos ao You!Me!Dancing! ( Twitter / Tumblr)
Discografia básica:
*Isn’t Anything (My Bloody Valentine): Download
Just for a Day (Slowdive): Download
Up for a Bit with the Pastels (The Pastels): Download
Psychocandy (Jesus & Mary Chain): Download
Novas bandas:
*Colour Trip (Ringo Deathstarr): Download
*Saturdays = Youth (M83): Download
*The Pains of Being Pure at Heart (The Pains of Being Pure at Heart): Download
B.R.M.C (Black Rebel Motorcycle Club):Download
Resenha: Belong (The Pains of Being Pure at Heart)
Belong
Segundo LP da banda nova-iorquina The Pains of Being Pure at Heart (TPOBPAH), Belong foi lançado no final de Março deste ano. Mas com sua enorme qualidade, é ouvido por vários fãs da banda e do gênero desde Março até agora.
Ainda fazendo um nugaze de qualidade, graças ao saber dosar muito bem a “fofura” do dream pop e do twee com as distorções e vocais ecoantes do shoegaze, Kip, Peggy, Alex, e o genial Kurt, trazem ao público um dos melhores álbuns de 2011.
Comparando com o LP anterior, o homônimo à banda, Belong traz um ar mais intimista e emocional tanto em suas letras quanto no ritmo. Dizer que são distintos e que Belong traça uma nova fase da banda é equivocado. Ambos os álbuns trazem faixas com mesmas temáticas: busca pelo amor e momentos de felicidade. Porém é evidente o ar mais emocional do segundo LP.
Algumas faixas de destaque:
- · Heaven’s Gonna Happen Now: Fofa. De refrão que faz todos cantarem junto, e com um riff no meio e final da faixa ao maior estilo The Cure, Heaven’s Gonna Happen Now é com certeza uma das melhores faixas compostas pela banda desde o lançamento do primeiro EP.
- · Heart In Yout Heartbreak: Já lançada como single em 2010, esta faixa traz um letra brilhantemente composta. Atenção para a pausa próxima ao final da música que depois retorna com tudo para o clima da música. Bela composição.
- · Strange: Faixa de maior contraste com as demais do álbum. Possui um ar mais shoegaze do que o nu gaze característico da banda. Mas sem deixar de lado o toque de dream pop. Fecha muito bem o álbum.
Os TPOBPAH chegaram a uma maior maturidade musical com o Belong, criando faixas com letras mais elaboradas e de proximidade com o ouvinte. As mudanças desde o lançamento do primeiro EP até agora mostram a evolução da banda, mas que nunca apresentou um som ruim. Daí um dos motivos de enorme aposta pela mídia fonográfica nesta banda para 2012.
